“Em poucas palavras, eu gostaria de levar as pessoas a uma reflexão sobre saúde, mente e vida...”.
CONVERSANDO SOBRE UMA SAUDÁVEL MENTE
DOENÇA DE ALZHEIMER – O OCASO DA MENTE
"A doença de Alzheimer (DA) é uma doença degenerativa e progressiva, que compromete o cérebro...".
ARTIGOS
Depressão - O Fardo de existir
Dependência Química - Vidas corroídas
Transtorno Bipolar do humor – A Incerteza do amanhã
DEPRESSÃO – O FARDO DE EXISTIR
A Depressão é um grave problema de saúde pública, atingindo algo em torno de 17% da população mundial em todas as idades. Não é uma doença só de adultos; ela atinge também 2,5% das crianças 13% dos idosos. A Doença já é a segunda maior causa de prejuízo funcional e econômico em indivíduos entre 15 e 44 anos até 15% dos pacientes com diagnóstico de depressão cometem suicídio. Somando-se todos os distúrbios psiquiátricos, aproximadamente 150 milhões de pessoas cometem suicídio todos os anos.
A Depressão pode ser causada por uma série de fatores.
Os mais estudados e comprovados são os fatores genéticos, alterações hormonais, alterações no funcionamento químico do cérebro no funcionamento químico do cérebro, estressores vitais e sociais, traumas, sofrimento na infância e alterações no modo de enxergar a vida. Os fatores genéticos são muito importantes, de modo que se um determinado indivíduo tem um parente de primeiro grau com depressão, sua chance de desenvolver a doença é 2 a 3 vezes maior.
São inúmeros os sintomas da depressão a que devemos ficar atentos: Os principais são humor depressivo, desânimo, irritabilidade, falta de interesse e motivação, redução da energia, alterações da atenção e memória, autoestima baixa, pensamentos de morte, incapacidade de sentir prazer, reflexos lentos, alterações de sono, peso e apetite, desinteresse sexual, culpa, vazio, angústia, melancolia e perda de esperança.
Atualmente dispomos de tratamentos seguros e eficazes com medicamentos antidepressivos e psicoterapia para os casos mais comuns, além de outros métodos para casos mais graves, como eletroconvulsoterapia e estimulação magnética transcraniana.
Além de fornecer esse conhecimento científico, eu sempre estimulo os meus pacientes a praticarem exercícios físicos, terem uma alimentação saudável, lazer, diversão, enfim, buscarem ao máximo a sua qualidade de vida.
ANSIEDADE – MENTES EM ALERTA
Os Transtornos de Ansiedade são um conjunto de doenças em que o indivíduo apresenta basicamente um sentimento excessivo de apreensão, medo ou preocupação, com reações físicas e psíquicas desagradáveis, associadas a algum acontecimento, pensamento ou expectativa.
Entre os diferentes Transtornos de Ansiedade encontramos a Ansiedade Generalizada, o Transtorno do Pânico, as Fobias (medos) Específicas e Múltiplas, o Stress Agudo ou Pós Traumático, a Fobia Social e o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Embora com características distintas, essas condições clínicas têm a mesma origem cerebral, de modo que um mesmo paciente pode apresentar as diferentes formas acima descritas ao longo do tempo.
Estima-se que apenas o Transtorno de Ansiedade Generalizada atinja 12% da população.
Assim como em outras doenças psíquicas, os fatores genéticos, as alterações químicas cerebrais, o estresse e os acontecimentos negativos da vida são as causas mais comuns dos Transtornos Ansiosos.
O tratamento baseia-se no uso de medicação específica, Psicoterapia, mudanças comportamentais e de pensamento e até mesmo Neurocirurgia para quadros graves de TOC.
Quando refletimos sobre a ansiedade como um todo, enxergamos no mundo de hoje um grande fator de adoecimento, com suas pressões e cobranças, competitividade, violência, problemas financeiros e profissionais.
DEPENDÊNCIA QUÍMICA – VIDAS CORROÍDAS
Eu gostaria de iniciar este assunto tão importante para nossas vidas com o conceito oficial de Dependência Química aceito no mundo inteiro:
A Dependência Química é um padrão mal-adaptativo de uso de substância, levando a prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo, manifestado por três (ou mais) dos seguintes critérios, ocorrendo a qualquer momento no mesmo período de 12 meses:
(1) Tolerância, definida por qualquer um dos seguintes aspectos:
(a) uma necessidade de quantidades progressivamente maiores da substância para adquirir a intoxicação ou efeito desejado.
(b) acentuada redução do efeito com o uso continuado da mesma quantidade de substância.
(2) Abstinência, manifestada por qualquer dos seguintes aspectos:
(a) síndrome de abstinência característica para a substância
(b) a mesma substância (ou uma substância estreitamente relacionada) é consumida para aliviar ou evitar sintomas de abstinência
(3) A substância é freqüentemente consumida em maiores quantidades ou por um período mais longo do que o pretendido
(4) Existe um desejo persistente ou esforços mal-sucedidos no sentido de reduzir ou controlar o uso da substância
(5) Muito tempo é gasto em atividades necessárias para a obtenção da substância (por ex., consultas a múltiplos médicos ou fazer longas viagens de automóvel), na utilização da substância (por ex., fumar em grupo) ou na recuperação de seus efeitos
(6) importantes atividades sociais, ocupacionais ou recreativas são abandonadas ou reduzidas em virtude do uso da substância
(7) o uso da substância continua, apesar da consciência de ter um problema físico ou psicológico persistente ou recorrente que tende a ser causado ou exacerbado pela substância (por ex., uso atual de cocaína, embora o indivíduo reconheça que sua depressão é induzida por ela, ou consumo continuado de bebidas alcoólicas, embora o indivíduo reconheça que uma úlcera piorou pelo consumo do álcool).
Em um estudo feito no Brasil, descobriu-se que quase 20% dos entrevistados já haviam experimentado alguma droga que não o álcool ou tabaco. Em ordem de freqüência temos a maconha (6,9%), os solventes (5,8%) e a cocaína (2,3%).
A prevalência do alcoolismo no Brasil é de 17,1% entre os homens e de 5,7% entre as mulheres.
Em relação ao cigarro, de 25% a 35% dos adultos são dependentes.
Quanto ao impacto econômico das Dependências Químicas, estudos promovidos pelo Nida (Instituto Nacional de Abuso de Drogas dos EUA), o prejuízo com as drogas nos Estados Unidos chega a cerca de US$ 245 bilhões por ano. No Brasil, ainda não há estudos conclusivos sobre tais custos.
O tratamento dos quadros de Dependência ao Álcool, Tabaco e Outras drogas idealmente envolve diferentes abordagens.
A junção entre o tratamento medicamentoso, a psicoterapia, os grupos de mútua-ajuda e o envolvimento ativo da família constitui a abordagem mais eficaz. Para casos mais graves, podemos lançar mão da internação para tratamento de desintoxicação ou para tratamento de longo prazo.
No caso do álcool e do tabaco, a diferença básica é que se tratam de drogas lícitas, o que não as isenta dos efeitos danosos à saúde do usuário e das pessoas que com ele convivem.
A noção de que o alcoolismo é uma dependência química é algo razoavelmente difundido e entendido. No entanto, o mesmo não ocorre em relação ao tabagismo. É importante ressaltar que o tabagismo é também uma dependência química, que como tal deve ser tratada com medicamentos e psicoterapia.
As drogas constituem um grande desafio para a sociedade e para os governos. São muitas vidas perdidas ou incapacitadas pelo problema, muitas famílias destruídas e um custo muito alto para todos.
Drogas cada vez mais tóxicas e potentes têm sido criadas nas últimas décadas, associadas ao aumento da criminalidade e do tráfico.
E a grande verdade é que nós estamos perdendo essa guerra!
TRANSTORNO BIPOLAR DO HUMOR – A INCERTEZA DO AMANHÃ
Muito discutido e comentado nos últimos anos, o Transtorno Bipolar do Humor é uma condição médica muito complexa caracterizada por constantes variações de humor entre o pólo da depressão e o pólo da euforia.
Os pacientes experimentam um importante sofrimento causado por suas mudanças de emoções, comportamentos e pensamentos. Para eles, a vida torna-se imprevisível.
Sintomas como tristeza, vazio, desânimo, perda do prazer e interesse pela vida, irritação e pensamentos de morte são a tônica das fases depressivas. Por outro lado, euforia, aceleração, pensamentos de grandeza, aumento da energia, irritabilidade, redução da necessidade de sono, impulsividade e aumento do desejo sexual caracterizam as fases eufóricas.
Não são apenas esses os estados bipolares. Em alguns casos, os sintomas de ambas as fases se misturam num mesmo momento. Em outros mais graves, os pacientes podem apresentar delírios e alucinações.
Estudos epidemiológicos nos Estados Unidos e na Europa estimam que de 1,5 a 5% da população apresenta a doença. Infelizmente, o Transtorno leva em média 8 a 10 anos para ser corretamente diagnosticado e tratado, o que colabora para o risco de suicídio entre os portadores. Crianças e adolescentes também podem sofrer do problema e nesses casos o diagnóstico é ainda mais difícil.
A causa da doença ainda não está esclarecida, mas os fatores genéticos figuram como os principais envolvidos.
No entanto, com o avanço da Psiquiatria, atualmente há inúmeros medicamentos para o tratamento do Transtorno Bipolar, levando à remissão dos sintomas e a uma vida normal.
É importante ressaltar que todos nós temos variações normais do humor e do estado emocional. Ficamos mais felizes ou mais tristes de acordo com os acontecimentos de nossas vidas e com variações hormonais, por exemplo, sem que isso signifique sermos portadores do Transtorno.
